- eu vi essa frase em algum lugar e ela me atravessou -



"Você se sabota porque aquilo que você quer exige uma versão sua que você não acredita ser."

Ela bateu no peito de um jeito que não foi suave.
E não foi porque era dura demais, mas porque era verdadeira demais.

No fundo, essa frase toca em dois pontos muito profundos.
O primeiro é a autoimagem limitada: a forma como você se vê, que às vezes é tão estreita que não comporta a grandeza do que você deseja. É como tentar encaixar o oceano dentro de um copo, você não enxerga espaço suficiente em si mesma para tudo aquilo que poderia ser.
O segundo é a proteção contra a frustração: a estratégia inconsciente de evitar a dor de tentar e não conseguir. Se você não chega a se mover, não corre o risco de fracassar. É uma proteção silenciosa, mas que também te aprisiona.

Existe um tipo de sabotagem que não tem nada a ver com preguiça, e muito menos com falta de vontade. É aquela que nasce do medo de não estar pronta. Como se o que você quer estivesse ali, ao alcance, mas exigisse uma versão sua mais corajosa, mais firme, mais confiante e você, olhando no espelho, não acreditasse que essa versão fosse possível.

Aí, antes mesmo de tentar, você começa a criar desculpas, atrasos, desvios. Não porque não quer, mas porque quer tanto que tem medo de provar pra si mesma que não consegue. É mais fácil não chegar perto do sonho do que encarar o risco de vê-lo escapar.

E, no entanto, essa é a armadilha:
a versão que você acha que não existe já está em construção, silenciosa, na forma como você se move nos seus dias, nos pequenos atos de coragem que você nem chama de coragem.
Mas você só vai conhecê-la se der o passo mesmo sem sentir que está pronta.

A verdade é que ninguém se sente pronto antes de começar. É o começo que prepara a gente. É o tropeço que firma o pé. É a tentativa que constrói a confiança.
E um dia, sem perceber, você vai olhar pra trás e ver que já se tornou aquela pessoa que um dia parecia impossível de ser.

Depois de refletir sobre isso, eu falo hoje pra mim mesma:
para de se sabotar por medo de não estar à altura.
Suba no palco antes de decorar todas as falas.
Mergulhe antes de ter certeza de saber nadar até o fim.
Porque a única forma de se tornar sua versão mais forte é permitir ser fraca no começo.
E, no fim, você vai perceber:
você já é capaz. Só precisa acreditar.

Eu, mais do que ninguém, sei que é mais fácil só falar. Mas, se você sentiu, como eu, que está na hora, senta aí que eu te conto.

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