- Soul: uma experiência que se sente, se ouve e se vive -
Assistir Soul foi como atravessar uma porta invisível para dentro de mim mesma. Desde o primeiro acorde de jazz, senti como se a música se espalhasse pelo meu corpo vibrando no peito, ecoando nos dedos, pulsando nos ossos. Era mais do que ouvir: era sentir a cidade respirar junto comigo, com seu cheiro de café recém-passado, com o tilintar distante de copos, com o calor das calçadas ao entardecer. O filme não apenas passava na tela ele se infiltrava pelos sentidos, transformando tudo em experiência.
As cenas eram pinceladas de vida. O barulho das folhas arrastadas pelo vento, a textura do tecido da roupa de Joe, o brilho quase palpável das estrelas no Grande Antes. Cada detalhe me lembrava que a vida não é feita só de grandes acontecimentos, mas de pequenas delicadezas que a gente às vezes esquece de notar. Soul me fez enxergar a beleza de estar viva no instante, mesmo que ele pareça banal.
E então veio a frase que ficou ecoando em mim como se fosse feita de música: “Isso não é um propósito. Isso é a vida.” Quando ouvi aquilo, senti como se alguém tivesse colocado palavras no que meu coração já sabia, mas que eu ainda não conseguia dizer. Porque a vida não é uma meta distante a ser alcançada ela é o agora, é o gosto de uma fatia de pizza, é o sol atravessando as janelas, é uma conversa sem pressa, é o som de um piano solitário que se torna infinito.
O filme me levou a atravessar espaços etéreos, onde a luz parecia tocar a pele e as cores se moviam como se fossem vivas. Mas o que realmente ficou foi o que veio depois, quando a tela escureceu e eu ainda estava ali, absorvendo o silêncio. Foi nesse instante que percebi: Soul não queria apenas me emocionar, queria me ensinar a olhar diferente.
E, acima de tudo, eu quero agradecer à uma pessoa muito especial. Foi ela quem me indicou esse filme, e assistir a ele, mesmo à distância, se tornou uma experiência ainda mais especial. Cada uma na sua casa, mas conectadas pela mesma história, pelos mesmos silêncios, pelos mesmos suspiros. Já é quase um ritual nosso: dividir o mesmo tempo, mesmo que não seja o mesmo espaço. E nessa noite, percebi que dividir também é multiplicar. Ela me fez enxergar coisas que talvez eu não visse sozinha. Soul me ensinou a ouvir a música da vida e você MINHA LINDA me ensinou que essa música fica ainda mais bonita quando é compartilhada.


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