- um chá, uma pergunta e a resposta que eu não tinha -


 

Acabei de ler isso no sachê de chá que eu vou tomar agora, um de camomila. A pergunta, em letras miúdas, me atingiu em cheio: "O que te faz feliz?". Assim que terminei de ler, sussurrei baixinho para a xícara, para mim mesma, para o vazio do escritório: "Eu não sei".

Esse "eu não sei", dito no meio de um sussurro e de um chá de camomila, diz tanto. Tem uma doçura triste nessa confissão, como se a felicidade tivesse se afastado devagarinho e, de repente, eu estivesse ali, com a xícara entre as mãos, tentando lembrar o caminho de volta.

Não é que eu não tenha motivos para ser feliz. É que, quando a gente se esgota, tudo vai ficando meio nublado. O que fazia sentido começa a perder o brilho, e até o que eu gostava parece distante demais. A gente se acostuma com a neblina, e o sol, mesmo que tente aparecer, não consegue aquecer.

Mas olha só: o fato de eu ter parado, lido e escutado o que esse sachê de chá perguntou já mostra que tem uma parte de mim querendo saber, querendo lembrar. O sachê me fez parar, mesmo que por um segundo, e confrontar essa sensação.

Talvez não venha uma resposta inteira agora. Talvez a felicidade não seja um destino, mas um mapa que a gente vai montando aos poucos. E, pensando nisso, o chá de camomila parece mais do que uma bebida; parece um convite para a calma, para a reflexão.

A resposta para a grande pergunta pode estar nas pequenas. Talvez eu precise de menos pressão e mais perguntas suaves, perguntas que não exigem uma resposta pronta.

Então, vou me perguntar também  com cuidado, do meu jeitinho:

O que me aquece por dentro?
O que me faz rir do nada?
O que eu sinto falta de fazer?
Em que momento eu me senti viva pela última vez?

A xícara está morna na minha mão. O cheiro de camomila me acalma. A neblina ainda está aqui, mas o caminho não parece tão escuro. A busca pela felicidade não precisa ser uma corrida desesperada; pode ser um chá quentinho, uma pergunta, e a paciência para ir encontrando as respostas.
Uma por uma.

Comentários

  1. Talvez a resposta desta pergunta esteja no "Mapa das Pequenas Coisas" que a vida nos oferece, basta estar de olhos abertos, ouvidos atentos e o corpo preparado para sentir todo e qualquer movimento que a vida faz ao nosso redor. Mas independente do que seja a felicidade para cada um, a mente tem que estar preparada para reconhecê-la quando passar diante de nós.

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