- você é um mundo inteiro tentando se organizar por dentro -




Sabe… tem dias em que tudo fica mais silencioso.

Mas não é um silêncio calmo, não.
É aquele silêncio pesado… que aperta os ombros, que ocupa o peito… como se tivesse um mundo inteiro aí dentro tentando se ajeitar.

A gente cresceu correndo pra fora.
Pra provar que é forte, que é capaz, que consegue…
De preferência, antes dos trinta.
Mas ninguém ensinou a ouvir o próprio corpo.
A entender o nó na garganta…
A reconhecer os gatilhos que apertam memórias que a gente nem sabia que estavam guardadas.

E aí… a gente aprendeu sozinha.
Tropeçando.
Testando.
Procurando respostas em todo canto nos mapas, no céu, nas cartas, nos rituais, em terapias.
Tentando meditar pra calar o barulho de dentro… mas às vezes, o que vinha, era só mais eco.

Até que um dia… no meio de uma conversa simples…
Algo atravessa.
E parece que acende uma luz onde antes era só penumbra.
Você percebe que se acolher… é também acolher tudo o que veio antes de você.
Que aceitar… não é concordar.
É reconhecer: isso também sou eu.

E talvez seja aí que mora a nossa humanidade.
Na sensibilidade que chega junto com o cansaço.
Na vulnerabilidade que aparece quando a gente para de correr.

Porque, no fim, coragem não é enfrentar o mundo lá fora.
Coragem… é ficar.
É sentar com você mesmo, no meio do caos…
Olhar pra dentro e dizer: eu me vejo.
E, mesmo tremendo, continuar olhando.

Cada um que para e mergulha pra dentro…
Tá tentando se reorganizar.
E sim… às vezes isso dói.
Mas mexer nas gavetas internas sempre levanta poeira.
E é essa poeira que… quando a luz entra… também brilha.

E aí você percebe:
Mesmo em pedaços…
Você ainda é inteira.
E vai continuar sendo.

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