- Ressaca cinéfila -
Eu tive uma semana bem específica, brincadeiras à parte, até bem cult. Quinta-feira fui ver Marty Supreme e ontem, sexta, encarei Hamnet. Agora é sábado, estou aqui com a minha ressaca cinéfila e tentando entender por que eu escolhi dois filmes que, basicamente, te obrigam a repensar a vida inteira em 48 horas.
O engraçado é que eu comecei a semana sem saber quase nada sobre eles e agora estou aqui, obcecada, pesquisando até o nome do bisavô dos envolvidos nos filmes.
Mas vamos lá…
🏓 O surto de quinta: Marty Supreme
Eu não sou a maior entendedora de cinema do mundo, mas não precisa ser nenhum gênio pra sacar que Marty Supreme é um surto. E surto no sentido frenético da coisa toda, tá? Ele tem 9 indicações ao Oscar e, depois que você assiste, faz todo o sentido. Fui pesquisar quem estava por trás dessa loucura e vi que a direção é de uns caras chamados Josh Safdie e Ronald Bronstein. Se a ideia deles era me deixar com taquicardia, parabéns, conseguiram.
O Timothée Chalamet faz o Marty Mauser, um jogador de tênis de mesa dos anos 50. Mas esquece aquele clima fofo de filme de época. O Marty é… como eu posso dizer? Um porre. Ele é arrogante, impulsivo e completamente obcecado. Mas o Chalamet está tão absurdo no papel que você não consegue parar de assistir.
O que me pegou, pensando sobre o filme depois, é que o tênis de mesa ali é só um detalhe. O filme não quer saber se ele vai ganhar o troféu de plástico no final. Ele quer mostrar como um cara talentoso consegue ser sozinho no topo. Ele mente, ele trapaceia, ele ignora todo mundo. Saí do cinema pensando: ok, o cara é o melhor do mundo, mas quem é que toma um café com ele no dia seguinte? Ninguém. É uma grandeza que dói de ver. Solitária.
🎥 O baque de sexta: Hamnet
Aí, ontem, mudei totalmente o registro. Fui ver Hamnet. Eu sabia que era sobre o filho do Shakespeare, mas não estava preparada para o estrago. O filme é da Chloé Zhao (fui dar um Google e descobri que ela gosta dessa pegada mais lenta, mais visual e, realmente, cada cena parece um quadro).
Tem uma coisa que me deixou muito curiosa e eu fui pesquisar: no filme, a esposa do Shakespeare se chama Agnes. Eu fiquei tipo: “ué, mas eu já tinha ouvido falar que era Anne Hathaway?”. Pois bem, descobri que, nos registros da época, o pai dela a chamava de Agnes. Achei sensacional o filme usar isso. Tira aquela aura de “personagem de livro de história” e traz pra uma mulher real, uma mãe que cura pessoas com ervas e que vê o filho morrer de peste aos 11 anos.
A Jessie Buckley, que faz a Agnes, entrega tudo, mas tudo mesmo. Está perfeita e, pra mim, ganharia o Oscar de Melhor Atriz. Tá, mas tem uma parte que acabou comigo: o Hamnet deitando com a irmã gêmea dele, a Judith, tentando meio que “enganar” a morte e trocar de lugar com ela. É de uma tristeza tão honesta que me senti até meio intrusa assistindo. E o choque de saber que esse luto foi o que, possivelmente, fez o Shakespeare escrever Hamlet depois? É o tipo de informação que faz a gente olhar pra literatura de outro jeito.
O resumo do sábado
O que eu aprendi com esses dois? Que a gente paga caro pelas coisas.
O Marty pagou com a solidão pra ser o melhor. O Shakespeare (e a Agnes, principalmente) pagaram com a maior dor do mundo pra criar uma obra-prima que a gente estuda até hoje.
Se você quer sair do cinema com a alma leve, não vá ver esses filmes. Mas se você quer aquele tipo de história que te faz pesquisar tudo no Google depois e que fica martelando na sua cabeça enquanto você tenta viver o seu dia de sábado, o ingresso vale cada centavo.
Agora, se me dão licença, vou passar o resto do dia em quietinha, porque minha cota emocional por essa semana já estourou.



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